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Novo tratamento para toxoplasmose congênita é investigado por pesquisadores da UFU

Método, que tem como diferencial o uso de nanopartículas biogênicas de prata, é menos prejudicial que procedimentos utilizados atualmente

Por: Rodrigo Sousa

A toxoplasmose congênita é uma doença infecciosa, resultado da transferência transplacentária do Toxoplasma gondii da mãe para o embrião/feto durante a gestação. Pode também acontecer por reagudização (quando volta ao estado inicial) de uma mãe que já tenha sido infectada previamente.

Imagem de varredura de Toxoplasma gondii feita por microscopia eletrônica (foto: arquivo da pesquisadora)

O artigo “BIOGENIC SILVER NANOPARTICLES CAN CONTROL TOXOPLASMA GONDII INFECTION IN BOTH HUMAN TROPHOBLAST CELLS AND VILLOUS EXPLANTS” (“Nanopartículas biogênicas de prata podem controlar a infecção por Toxoplasma gondii em células de trofoblasto humano e explantes vilosos”, em tradução livre) investiga uma possibilidade de tratamento alternativo para toxoplasmose, uma vez que o tratamento atual pode ser tóxico aos pacientes.

Foi a professora Idessania Costa, bióloga e pós-graduada em Imunologia e Parasitologia Aplicadas, pela Universidade Federal de Uberlândia (INBIO/UFU), e atualmente docente e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Patologia Experimental na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que percebeu a possibilidade do estudo.

Costa está na UEL desde 2012 (foto: arquivo pessoal)

Ao orientar uma aluna de mestrado que utilizou a nanopartícula biogência de prata, Costa percebeu que os resultados promovidos por esses nanomateriais foram promissores na redução do número de parasitos (Toxoplasma gondii em células HeLa).

A partir disso, a proposta foi averiguar se os mesmos efeitos seriam observados em células de origem trofoblástica humana e vilos placentários, para simular o que aconteceria na toxoplasmose congênita em um humano.

O artigo da professora foi resultado de seu pós-doutorado em Imunologia e Parasitologia Aplicadas, supervisionado pela professora Eloisa A. Vieira Ferro, que é lotada no Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM/UFU).

Eloisa Ferro (esq.) e Idessania Costa (dir.) (foto: arquivo pessoal)

Para o estudo, foi realizada uma cultura de células de origem trofoblástica humana BeWo e HTR-8 e com o próprio vilo placentário. “Nós infectamos as células (que foram cultivadas em laboratório) e os explantes de vilos coriônicos provenientes de placenta com Toxoplasma gondii. Posteriormente, em condições adequadas de laboratório, tratamos este material com a nanopartícula biogênica de prata. Então, analisamos, a partir das várias metodologias que estão citadas no artigo, se o tratamento reduziu o número de parasitos e se promoveu produção de citocinas, que são proteínas relacionadas à resposta imunológica”, explica Costa.

A professora também afirma que, como a nanopartícula é produzida em laboratório, de forma biológica, a partir de um fungo, os efeitos danosos são menores do que os identificados em tratamentos atuais de toxoplasmose.

“Durante a gestação, é muito perigosa a infecção por Toxoplasma gondii, principalmente nos dois primeiros trimestres. Se houver contato do parasito com o embrião/feto e a gestante não for tratada, podem haver sequelas graves”, completa a bióloga. As sequelas para o embrião/feto podem variar de aborto até danos neurológicos ou olftamológicos.

Para o futuro, Costa afirma que mais investigações acerca desse modelo de tratamento são necessárias, pois os resultados da pesquisa indicam um possível tratamento alternativo para toxoplasmose com efeitos menos tóxicos a pacientes e embriões/fetos.A pesquisa foi publicada em parceria com diversos professores e discentes da UFU, professores da UEL e de outras instituições, além de ter sido financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Sobre a conclusão do estudo, a bióloga diz: “Entendemos a que a nanopartícula biogênica de prata é um composto promissor para o tratamento da toxoplasmose, uma vez que, nos estudos ele apresentou redução significativa no número de parasitos, tanto nos vilos de origem placentária quanto nas células trofoblásticas BeWo e HTR-8”.

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